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a vidinha como ela é

(e uma mãe que mete a mão em tudo) por Claudia Borralho

a vidinha como ela é

(e uma mãe que mete a mão em tudo) por Claudia Borralho

Cozinhar com os miúdos

Cozinhar com os miúdos é algo absolutamente bipolar para mim.

Por um lado adoro a ideia, quero que venham participar na cozinha e quero muito ensina-los a tudo, mas por outro... a confusão causa-me uma ansiedade tremenda. Fico doida com a demora, com o "mal feito", com a sujidade elevada ao quadrado. Enfim, é difícil para mim.

Ontem os miudos ajudaram. Sim todos. Desde o Gabriel maior, até à Laura mini.

O Gabriel descascou a cenoura, fiquei um bocado insana por ter demorado a perceber como se cortava com a faca e a base de corte e depois cortou a cenoura às tirinhas com a mandolina (ai ai ai que o puto ainda corta os dedos todos!!!). Não houve dedos cortados, ele parou quando eu avisei que devia parar, eu ajudei e depois usamos a protecção da mandolina para ele terminar em segurança.

As miudas esfiaram o frango para a canja, uma com mais jeito, outra com menos jeito, e alguma carne na pilha das gorduras e ossos. E depois deixaram o prato dos ossos à solta enquanto foram lavar mãos e a mãe passou-se mais um bocadinho quando olhou e já lá estava o gato peludo de volta do prato.

O Gabriel não quis descascar batatas... mas arrumou a louça da máquina.

A Oriana quis vir descascar batatas, e conseguiu descascar uma enquanto eu descasquei e cortei quatro (e a Laura segurou a actifry para colocar as batatas).

A Laura continuava aos pulos a querer ajudar por isso pôs duas mãos de massa e algum frango esfiado na canja e o azeite nas batatas.

O Gabriel já tinha desaparecido e a Oriana ainda varreu o chão das cascas de cenoura e batata que tinham voado por todo lado. Entretanto a Oriana desapareceu e a Laura continuava a querer tomar conta das batatas.

Eu e a cozinha sobrevivemos, e entre dar tarefas a 3 consegui que o gato não roubasse o frango.

 

E com isto tudo lembrei-me que quando comecei a cozinhar só conseguia fazer uma tarefa de cada vez. :) Tipo programa de culinária, uma tacinha com cada ingrediente preparado para depois cozinhar.

SPA

Não, não vou falar da Sociedade Portuguesa de Autores (Claudia benze-se e atira sal para trás das costas) estou mesmo a falar de uma ida ao Spa (o céu na terra das mulheres ;) )

Na verdade eu não fui mesmo a um spa (mas sintam-se à vontade para me oferecer uma massagem de pedras quentes), eu fui à piscina municipal a uma horinha de natação livre. Ahhhh tou zen!

1h30 a nadar em agua quentinha, banho quentinho sem gente a interromper ou a gritar, tempo para colocar mascara nutritiva no cabelo e a cereja no topo do bolo - besuntar-me todinha de creme de cima a baixo.

Sai da piscina leve leve e só paguei €2,45.

 

A ver se consigo repetir isto pelo menos de duas em duas semanas (nem peço muito estão a ver).

um bocadinho de cor de rosa

A minha maternidade é repleta de gritaria e como é irritante os irmãos constantemente a implicarem um com o outro e o mais velho a ignorar tudo o que lhe dizem. Mas depois há dias em que tudo encaixa. É apenas momentâneo e raramente dura mais do que umas horas ou um dia. Mas pelo menos naquele momento já não há culpas, nem medo de criar traumas de infância nem pequenos psicopatas. Naquele precioso momento vemos finalmente que afinal sempre estamos a fazer algum bem e como os nossos filhos são maravilhosos. Hoje foi um desses momentos.

a maternidade numa crise profunda

Já todos sabemos isto, mas acho que não nos damos conta de quão fundo está e quão escuro é o futuro devido a isto. O pior de tudo, nem sequer consigo vislumbrar um baby boom daqui por uns sei lá 10 ou 20 anos. Vamos deixar de ter bebés até só restarem os velhos.

No FB alguém se queixava que este ano nem sequer havia grávidas de 1 de abril. Já nem a brincar há bebés.

O meu duro contacto com a realidade deu-se a pesquisar roupa de grávida. Havia uma série de lojas que tinham roupa de grávida, agora zip, nada. Não lhes é rentável ter essas colecções. E isto numa loja não se dá dum momento para o outro. Quer dizer que a procura desceu, e desceu novamente até decidirem eliminá-la. Até o fecho da MAC é indicativo disto, significa que alguém engravatado olhou para uns gráficos a decrescer e viu ali uma optima oportunidade de fechar aquela que é "a maternidade" de Portugal.

ainda a flexibilidade

Muitos textos têm aparecido por aqui: http://revolucionarparaflexibilizar.blogspot.com e custa-me reparar que ainda mais que o desconhecimento dos direitos que existem, as mães e pais não os sabem utilizar, reinvidicar, pedir.

Há com certeza por aí, muitas empresas e chefes e patrões que dificultam as coisas, mas às vezes não pedimos porque nós próprios já achamos que não nos vão dar.

Conheçam os vossos direitos e usem-nos. Se não forem gozados que conclusão se pode tirar? É porque não são necessários...

 

Vou deixar aqui alguns dos direitos contemplados no código do trabalho.

 

Artigo 46.º Dispensa para consulta pré-natal

1 – A trabalhadora grávida tem direito a dispensa do trabalho para consultas pré-natais, pelo tempo e número de vezes necessários.

4 – Para efeito dos números anteriores, a preparação para o parto é equiparada a consulta pré-natal.

5 – O pai tem direito a três dispensas do trabalho para acompanhar a trabalhadora às consultas pré-natais.

 

Artigo 47.º Dispensa para amamentação ou aleitação

1 – A mãe que amamenta o filho tem direito a dispensa de trabalho para o efeito, durante o tempo que durar a amamentação.

2 – No caso de não haver amamentação, desde que ambos os progenitores exerçam actividade profissional, qualquer deles ou ambos, consoante decisão conjunta, têm direito a dispensa para aleitação, até o filho perfazer um ano.

3 – A dispensa diária para amamentação ou aleitação é gozada em dois períodos distintos, com a duração máxima de uma hora cada, salvo se outro regime for acordado com o empregador.

4 – No caso de nascimentos múltiplos, a dispensa referida no número anterior é acrescida de mais 30 minutos por cada gémeo além do primeiro.

5 – Se qualquer dos progenitores trabalhar a tempo parcial, a dispensa diária para amamentação ou aleitação é reduzida na proporção do respectivo período normal de trabalho, não podendo ser inferior a 30 minutos.

 

Artigo 49.º Falta para assistência a filho

1 – O trabalhador pode faltar ao trabalho para prestar assistência inadiável e imprescindível, em caso de doença ou acidente, a filho menor de 12 anos ou, independentemente da idade, a filho com deficiência ou doença crónica, até 30 dias por ano ou durante todo o período de eventual hospitalização.

2 – O trabalhador pode faltar ao trabalho até 15 dias por ano para prestar assistência inadiável e imprescindível em caso de doença ou acidente a filho com 12 ou mais anos de idade que, no caso de ser maior, faça parte do seu agregado familiar.

3 – Aos períodos de ausência previstos nos números anteriores acresce um dia por cada filho além do primeiro.

 

Artigo 55.º Trabalho a tempo parcial de trabalhador com responsabilidades familiares

1 – O trabalhador com filho menor de 12 anos ou, independentemente da idade, filho com deficiência ou doença crónica que com ele viva em comunhão de mesa e habitação tem direito a trabalhar a tempo parcial.

2 – O direito pode ser exercido por qualquer dos progenitores ou por ambos em períodos sucessivos, depois da licença parental complementar, em qualquer das suas modalidades.

3 – Salvo acordo em contrário, o período normal de trabalho a tempo parcial corresponde a metade do praticado a tempo completo numa situação comparável e, conforme o pedido do trabalhador, é prestado diariamente, de manhã ou de tarde, ou em três dias por semana.

4 – A prestação de trabalho a tempo parcial pode ser prorrogada até dois anos ou, no caso de terceiro filho ou mais, três anos, ou ainda, no caso de filho com deficiência ou doença crónica, quatro anos.

 

Artigo 56.º Horário flexível de trabalhador com responsabilidades familiares

1 – O trabalhador com filho menor de 12 anos ou, independentemente da idade, filho com deficiência ou doença crónica que com ele viva em comunhão de mesa e habitação tem direito a trabalhar em regime de horário de trabalho flexível, podendo o direito ser exercido por qualquer dos progenitores ou por ambos.

2 – Entende-se por horário flexível aquele em que o trabalhador pode escolher, dentro de certos limites, as horas de início e termo do período normal de trabalho diário.

4 – O trabalhador que trabalhe em regime de horário flexível pode efectuar até seis horas consecutivas de trabalho e até dez horas de trabalho em cada dia e deve cumprir o correspondente período normal de trabalho semanal, em média de cada período de quatro semanas.

 

Artigo 59.º Dispensa de prestação de trabalho suplementar

1 – A trabalhadora grávida, bem como o trabalhador ou trabalhadora com filho de idade inferior a 12 meses, não está obrigada a prestar trabalho suplementar.

2 – A trabalhadora não está obrigada a prestar trabalho suplementar durante todo o tempo que durar a amamentação se for necessário para a sua saúde ou para a da criança.

 

Artigo 63.º Protecção em caso de despedimento

1 – O despedimento de trabalhadora grávida, puérpera ou lactante ou de trabalhador no gozo de licença parental carece de parecer prévio da entidade competente na área da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres.

 

Artigo 65.º Regime de licenças, faltas e dispensas

1 – Não determinam perda de quaisquer direitos, salvo quanto à retribuição, e são consideradas como prestação efectiva de trabalho as ausências ao trabalho

 

Todo o código está aqui: http://www.legix.pt/docs/CodTrabalho2009.pdf

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