Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

a vidinha como ela é

(e uma mãe que mete a mão em tudo) por Claudia Borralho

a vidinha como ela é

(e uma mãe que mete a mão em tudo) por Claudia Borralho

Sobre a depressão

03.12.10 | Claudia Borralho

O principal problema da depressão é que a maior parte das pessoas pensa que é um problema quase meramente psicológico, basicamente somos maluquinhos. E a reacção das pessoas varia entre o "vá, não fiques assim, sai dessa!" ao "é preciso é fazer terapia, trabalhar com o psicólogo, coaching, etc".

Guess what? A depressão é um problema físico e mesmo que tenha começado com triggers psicológicos associados, traumas, pós-parto, etc, por vezes o psicológico resolve-se e o físico permanece. Passa a ser uma depressão crónica. Ou, se não quisermos ser chamados de maluquinhos, podemos dizer que temos uma deficiência de serotonina, por exemplo. Eu tenho uma talassemia que é uma anemia crónica e devo tomar acido fólico todos os dias, e ninguém ousaria sequer sugerir que eu devia era deixar de tomar o acido fólico porque a anemia está toda na minha cabeça.

Se o meu corpo está viciado na serotonina artificial? Ah pois, está de certeza! Mas também pode dar-se o caso de não conseguir voltar a produzi-la nas quantidades necessárias. Sobre as coisas más e as indecisões. Elas só acontecem quando não tomo a minha mini-dose de comprimido (sim, mini! Há comprimidos grandes e pequenos e eu tomo metade de um pequeno). Basicamente é algo como: suicídio ou não suicídio? Só que no meu caso são outras coisas tristes e nada que tenha a ver com terminar com a própria vida.

A minha vida é óptima, fabulosa e muito feliz :) Tudo isso já resolvi na terapia. Tive de aprender a pedir ajuda e a deixar ajudarem-me. E acreditem eu luto imenso contra isso, gosto de ser eu a fazer tudo e acho que só eu é que sei fazer bem. Mas mudei imenso, e agora peço ajuda. Sobre os psicólogos trabalharem o problema e o coaching oferecer soluções, nao sei se será assim, pelo menos a minha psicóloga sempre trabalhou muito comigo as soluções, ela própria fazia sugestões para passinho a passinho as coisas irem mudando. Mas neste momento eu nem sinto necessidade de ir à terapia, ou melhor... continuando o desmame tudo cai por água abaixo. Só que já não há nada de psicológico a tratar, só físico.

Quando comecei a tomar anti-depressivos, estive 5 dias a tomar o comprimido pequeno e depois passei 6 meses com o comprimido grande. Sentia-me melhor, mas continuava deprimida, o meu mood variava entre o estranhamente zen e o deprimida. Com a terapia, o que me estava a deixar deprimida foi passando e eu pude começar a baixar a dose. O desmame correu maravilhosamente (lá está o psicológico estava resolvido e encaminhado). Primeiro passei para o comprimido pequeno e depois para meio comprimido. Logo que passei para o comprimido pequeno comecei a sentir-me a acordar, a sentir-me eu. Só que depois engravidei e as hormonas da gravidez deixaram a serotonina toda desregulada. Voltei ao meio comprimido. E os psiquiatras não costumam fazer desmames no inverno, nem na altura do natal, nem no início da primavera. Foi só por eu estar tão bem a nível psicológico que se tentou o último desmame agora. Não resultou, logo se volta a tentar no verão.

6 comentários

Comentar post