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a vidinha como ela é

(e uma mãe que mete a mão em tudo) por Claudia Borralho

a vidinha como ela é

(e uma mãe que mete a mão em tudo) por Claudia Borralho

é segunda... e estou tão cansada!

05.05.08 | Claudia Borralho
Dizem que ontem foi dia da mãe. Começo a desgostar cada vez mais destes dias marcados, parece que se forma uma expectativa, sei lá, um hoje é um dia feliz e é assim que tem de ser.
Para mim foi um dia normal, e só me lembrei da prendinha que veio da creche, já o puto ia bem entrado na sua sesta da manhã (dorme muito agora que corre tudo!).
Era uma bolsinha com a marca do seu pé. Era só isto o que eu queria, um pé ou uma mão deixados com tinta numa superficie qualquer.
Nos últimos dias experimentei ser mãe solteira e perdoem-me as verdadeiras mães solteiras, mas não é assim tão difícil como pensava. É até bem mais fácil que ter que tratar de um marido e um bebé.
A verdadeira divisão de tarefas é ainda muito rara e eu passo grande parte dos dias a sentir-me como a mãezinha de um adolescente rebelde. O tiago faz, mas tenho que me chatear e repetir o mesmo 50 vezes. Chateia e desgasta. Se tomo a opção de fazer tudo sozinha passo o tempo a limpar dum lado para chegar ao outro e já estar desarrumado, com louça e lixo espalhado por todo lado.
Enfim.... acreditem, aquelas super-mulheres que tratam de tudo, mesmo TUDO em casa merecem todos os meus elogios.

Do dia da mãe
Depois de dar almoço ao bebé fomos passear até à florista do outro lado da rua e trouxemos umas flores giras para dar à avó.
Em casa dos avós fizemos algumas birrinhas, o bebé porque para onde quer que se vire depara-se sempre com qualquer coisa onde não pode mexer, a mãe porque para onde quer que o bebé se vire aparece-lhe à frente algo onde não pode mexer e é preciso estar sempre a desviá-lo e a dizer não.
Como não está em casa o bebé recusa-se a dormir e vai fazendo cada vez mais birrinhas (imaginem vocês, cheios de sono e para onde quer que se virem vem um não!), os adultos vão almoçar e o bebé adora comer coisinhas do prato da mamã*.
Entretanto o pai chega cansado do trabalho. O bebé tenta roer uma carnicha, come uma banana mini e adora o arroz com molho de cenoura, com tanto arroz, depois já nem lancha.
Para terminar vamos à feira no Jardim da Estrela e a mãe ganha mais uma prenda que escolheu no jardim.
O parque do Jardim da Estrela é fantástico! E o bebé adorou andar no baloiço.

*isto dos sólidos sólidos está a correr melhor do que eu esperava!

FreeRangeKids

02.05.08 | Claudia Borralho
Descobri este blog no outro dia. A ideia é fantástica, eu quero criar um rapazola independente, sem medos e que faça coisas sozinho.
Mas confesso que li isto e fiquei mortificada.
Mas... deixar o Gabriel sozinho? Assim, numa loja, sei lá no meio de Lisboa? Deixá-lo sozinho desenvencilhar-se para vir para casa? E pior, não o espreitar nem chatea-lo para ver se não se perde? (ou o apanham... [tremble]).
Depois lembrei-me como era comigo. A partir dos 10/11 anos comecei a ir para casa sozinha, um percurso de alguns kilometros que primeiro fiz sempre a pé e depois comecei a fazer de autocarro.
Lembro-me de que ao princípio vinha o meu pai comigo e houve aquela célebre vez que ia eu mais o Pedro Ferraz mais à frente e o meu pai atrás. A casa do Pedro era a caminho da minha e ele propôs-me passar por casa dele para ver a tartaruga, já que o meu pai vinha lá atrás tinhamos tempo!
Enfim, esta história perseguiu-me durante toda a infância e adolescência. Eu ficava chateada, e só mais tarde me apercebi que os adultos à minha volta gozavam com aquilo porque basicamente se tinham borrado de medo, e nós tentamos sempre gozar com o que nos enche de medo.
Fui a casa do Pedro e vi a tartaruga, vi os amigos e irmãos, vi um peixinho vermelho num aquário, ainda vimos uns filmes marados que tinham andado a fazer (com efeitos especiais, o máximo!) e acho que a mãe do Pedro ainda me ofereceu lanche e jantar. Eu sabia que tinha de ir embora porque o meu pai não é assim tão lento a andar.
Chego a casa e nada de pai. Apanhou certamente um dos cagaços da vida dele ao chegar a casa e ao ver que eu não estava lá voltou a sair à minha procura.
Eu sinceramente não percebia tamanha preocupação.
Pouco depois disto comecei a ir sempre sozinha :)

A questão é? Serei capaz de libertar o meu filho da mesma forma? Quais são as regras agora? Com que idade? 8, 9, 10, 12, 16, 30?

Penso nisto e percebo porque tantos pais dão telemóveis aos filhos. Não é para controlar, se alguém pensa que controla um filho por telemóvel está bem enganado. É para à distância de uns cliques ouvir a sua voz do outro lado, e saber que, não importa a asneira que estejam ou não a fazer estão vivos e bem! (mas eu não quero dar telemóvel ao meu filho...)

What has changed from our parents' and our grandparents' generations? Why is it that these days, even the free rangers have to tussle with their own consciences to stick their kids outside the front door. The roads ARE fuller, that's true. But people always drove badly or drunkly. There are the same proportion of slurry pits and paedophiles in society as there ever were. What has changed is us, the parents.

Since children aren't disposable anymore, we psychologically can't cope with losing one. Children did used to be disposable. Parents knew that they may well lose half their brood, so, as hard as losing a child was, it was psychologically surpassable. But since vaccines and medicines have drastically improved a child's chances of reaching adulthood, we have become reliant on the fact that they WILL reach adulthood. We have become even more bonded with our children than before and fathers, now that fathers are supposed to do more than just provide, have become emotionally involved with their children in a way that they never were before. This includes me and 'im indoors. If one of us let our eight year old walk down the fantastically dangerous stretch to school alone and something happened to her, we couldn't live with ourselves or our guilt. If we had been in the same situation fifty years ago, and allowed our kid out on a stretch of road and something happened to her, it would have been the world to blame, or God, or the driver of the car, but not ourselves. We are entirely selfish, because we can't risk OUR feeling guilty for the rest of our lives.

I worry dreadfully that this selfishness of we parents is going to fill the Western world (for this is obviously a disease of the "wealthy") with a population of idiot-people who break their bones by falling off pavements ... but I don't know what to do about it.


Existem ainda aquelas velhas máximas da educação: Não confiar em estranhos, Não aceitar nada de estranhos. Mas a verdade é que as crianças podem ser realmente muito vulneráveis.
Lembro-me de uma vez, teria talvez uns 11 anos estava a ir para casa a pé e já era de noite. Uma mulher colou-se a mim. Provavelmente perguntou de que escola era e coisas assim, já nem sei.
O que me lembro é que me disse que era mãe de um colega meu, que morava no prédio ao lado do meu. Eu não acreditei em nada do que ela dizia porque eu sabia muito bem quem era a mãe do Bruno e não era aquela mulher. Senti-me a ser perseguida (mas nunca senti medo, só não queria que me roubasse) e o que raio é que esta mulher quer.
Foi andando sempre comigo e a fazer conversa, até sugeriu levar-me a mochila por mim. Eu claro, não obrigada (mas também porque mesmo com o meu pai sempre fui eu a levar a minha mochila, nunca estive habituada à tal história de serem os pais a levar).
Eventualmente a mulherzinha lá desistiu e seguiu por outro caminho. E eu só pensei para mim, tão a ver foi por aquele lado, é óbvio que não era a mãe do Bruno! E ainda me queria levar a mochila! Ladrona!

aiii, o susto que os meus pais tinham tido se tivessem sabido desta história!

Lembro-me de outra vez reclamar com o pai de outra colega que não aceitava nada dele, nem ia dar um beijinho porque não era conhecido (apesar de saber muito bem quem era, devia estar chateada).
A minha mãe quando lhe contaram acho que morreu de vergonha e ainda me veio dar um sermão a mim, mas eu sinceramente acho que ela devia era ter ficado grata de ter uma filha que não ligava verdadeiramente nenhuma a estranhos!

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