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a vidinha como ela é

(e uma mãe que mete a mão em tudo) por Claudia Borralho

a vidinha como ela é

(e uma mãe que mete a mão em tudo) por Claudia Borralho

em oito por favor!

02.09.04 | Claudia Borralho
ontem saí mais cedo e soube-me muito bem :) Às 19h já estava no Montijo e aproveitei para ir ao cabeleireiro cortar as pontinhas e escadear (que cena de gaija!!!). Depois entrei direitinha no supermercado e trouxe um frango assado para jantar. A rapariga lá da zona dos frangos era um verdadeiro troll! Quando lhe perguntei quanto tempo seria até os frangos estarem assados ela respondeu com uns grunhidos dos quais não entendi nada. Outra senhora que lá estava conseguiu traduzir-me e disse que deveriam ser uns 5, 10 minutos. Depois olha para a trolita e diz... aiii tanta gente a precisar de trabalhar! Passam-se uns minutos e os frangos já parecem estar a sair. Como toda a gente levava o frango inteiro e era a primeira vez que comprava frango ali resolvi perguntar se partiam o frango. A rapariga lá solta um grunhido que se parece com um sim. Então peço-lhe que corte o meu em 8 pedaços (o usual é 4 mas eu gosto daquilo mais esquartejado). Ouve-se algo como hummh uaaa e algo parecido com não posso. Não pode porquê? Porque vai ficar todo despedaçado (ena ena estou a tornar-me uma perita em trolish). Penso com os meus botões "despedaçado... hello é esse o objectivo!!!" e digo o mais educadamente possível Não faz mal. Nisto todos assistimos aos gestos sofridos da rapariga enquanto tentava o melhor possível cortar o frango nos ditos 8 pedaços. Outra senhora que está à espera até rebola os olhos ao observar tanta dificuldade para cortar um frango. O resultado foi mais parecido com 6 pedaços do que com 8, mas felizmente já não tinha que ouvir mais grunhidos!!!

pilula do dia seguinte

01.09.04 | Claudia Borralho
bom, eu aprendi sobre a pilula do dia seguinte a ler livros como "Um adolescente com a mania da saúde". Com certeza terão existido outras fontes de informação, mas esta deverá ter sido a primeira. Soube a ler um livro, não foi na escola, não foram os pais, foi a ler um livro emprestado por uma amiga quando tinha prai uns 12 anos (anos mais tarde comprei as minhas próprias cópias pensando que os meus filhos os deveriam ler também). Acaba sempre por ser entre as amigas, que vamos descobrindo e aprendendo sobre os nossos corpos e o sexo. Lembro-me de uma amiga mais nova uma vez comentar comigo que uma colega da escola tinha engravidado porque achava que da primeira vez não se engravida... os exemplos são inúmeros. Bom, mas mesmo assumindo que somos mulherzinhas responsáveis ainda assim os acidentes acontecem, um esquecimento da pílula, um preservativo que rebenta ou que escorrega e sai do sítio. É para estes casos que existe a pílula do dia seguinte. A mim também já me aconteceu um destes desaires, mas graças aquele livro de quando tinha 12 anos eu sabia o que fazer. Fui à farmácia e pedi a pilula do dia seguinte. A pilula do dia seguinte são na realidade dois comprimidos a tomar num espaço de 24 horas e que devem ser tomados no máximo dos máximos até 72 horas após a relação sexual, e quanto mais tarde for tomada menos hipoteses de resultar terá. Algum tempo mais tarde no ginecologista o médico ficou chocadissimo quando lhe disse que tinha tomado aquela pilula... é que na altura em que isto aconteceu só se podia vender com receita médica. Felizmente que agora já existe pilula do dia seguinte que não necessita de receita médica. Esta foi uma situação que comentei a outras amigas minhas e uns anos mais tarde estava a receber um telefonema de uma delas a perguntar qual é que era aquela pilula que eu tinha falado da outra vez. Fala-se muito dos perigos de efeitos secundários desta pilula. São basicamente os mesmos das outras pilulas anti-concepcionais, até porque a pilula do dia seguinte equivale a três vezes a dosagem da pílula "normal". Mas concerteza que tais efeitos não se comparam a efectuar um aborto na dona esmeraldinha... Por isso fica aqui a sugestão, em vez de proibirem o WOW a atracar em Portugal ou a fazerem referendos sobre o aborto porque não fazem antes uma campanha de divulgação da pílula do dia seguinte?

porque digo não?

01.09.04 | Claudia Borralho
ok... assunto complicado. Liberalização do aborto... bom primeiro que tudo a minha opinião pessoal é não ao aborto, acima de tudo a vida em primeiro lugar. Em segundo, sim a mulher deve ter liberdade sobre o seu corpo. Terceiro, acho preferível que se façam abortos a dar crianças para adopção. Não posso concordar com abortos feitos por meninas que lhes apetece fazer sexo porque já são "meninas grandes" mas que estão "zero" informadas sobre contracepção, tal como senhoras que fazem sexo com os seus amantes e depois os maridos não podem descubrir tal coisa. Bom, mas não são estes os casos preocupantes, porque afinal a maioria destes são os tais que têm condições económicas para ir fazer os seus abortos lá fora e com mais condições do que em qualquer hospital português! A verdade é que a questão do aborto está em todas aquelas mulheres sem condições económicas, muitas vezes abusadas pelos seus maridos ou companheiros, e jovens (muitas vezes ainda crianças) sem qualquer informação sobre métodos contraceptivos, menstruação e gravidez. Muitos destes casos deveriam cair na esfera das excepções à possibilidade do aborto da lei portuguesa: perigo para a mãe, malformação do feto e violação. Mais importante que despenalizar o aborto é estender a lei existente para casos de ordem económica e psicológica, e ainda mais importante que isso é uma eficaz educação sexual em casa e nas escolas. Ainda há uns meses atrás assinei uma petição para um novo referendo sobre o aborto, caso este referendo se venha a realizar e caso o sim venha a vigorar posso já prever que o tal problema das mulheres que têm que ir a carniceiros fazer abortos vai sempre continuar a existir. Estas mulheres não vão a estas pessoas por o aborto ser um crime, elas vão porque não têm dinheiro para o ir fazer em melhores condições e porque aquela gravidez e aquele aborto são um segredo, como tal elas também não irão ao seu médico de família pedir que lhes façam um aborto. E depois entramos ainda num outro problema básico deste nosso Portugal... aquelas senhoras "ricas" que já não precisam ir lá fora e pedem ao seu médico conhecido que lhes arranje um aborto, porque a pipita não pode estar grávida com aquela idade! Já viu o escândalo senhor doutor? pois é a pipita há-de passar à frente das outras mulheres sem posses mas com coragem para ir ao médico que vêm cada vez mais perto a passagem das 12 semanas enquanto estão em lista de espera.
Quanto ao WOW (Women on Waves) acho absolutamente ridícula esta proibição a entrar em águas portuguesas... ao menos ali as mulheres teriam direito a informação. Será que voltamos aos tempos da Santa Inquisição? o medo e o poder do conhecimento...

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