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Claudia Borralho

A VIDINHA COMO ELA É (e uma mãe que mete a mão em tudo)

Claudia Borralho

A VIDINHA COMO ELA É (e uma mãe que mete a mão em tudo)

disciplina, educação, gritarias e berros

É o tema do momento :) cutchi cutchi, positiva, castigos, gonzalez...

 

Enquanto são bebés é tudo muito fácil (na educação e disciplina), carregamo-los de amor, de mimos e beijinhos e quando se começam a aventurar na asneira um não bem firme costuma resolver a questão.

Eles crescem e vão-se tornando cada vez mais hábeis a esticar a corda. Há muito que o não firme e retirá-los do local da asneira deixou de resultar.

Sem bem percebermos como, vamos levantando a voz para tornar os nãos mais firmes, quando damos conta já os pequenos selvagens nos gritam de volta, contorcem-se pelo chão e andam aos pontapés. São peritos em gozar e provocar-se uns aos outros. Chega a um ponto que já não se sabe o que fazer.

 

Se gosto de gritar? Odeio. Mas quando dou conta já os limites foram tão ultrapassados que viro bixo e já só consigo gritar. É muito bonito dizer que se conversa calmamente e se poe um olhar e voz firmes, mas quando se tem dois putos a provocarem-se um ao outro e a berrar cada um por si e nós até estavamos calmamente a trocar uma fralda à calmissima bebé e somos arrastados para dentro desta guerra não há grande alternativa. Experimentem lá falar baixinho a tentar que os mais velhos não se matem um ao outro e parem de estar aos gritos enquanto vestem um bebé e digam-me se resulta...

 

Ou como diz o JMT: "Há, contudo, um detalhe que não me explicaram, mas que eu gostaria muito de entender, sem ironias: e se eu mandar a criança limpar a sopa ou ir estudar para o quarto e ela disser: "não vou!"? E se ela disser "não vou!" dez vezes? Desiste-se ou arrasta-se pelos cabelos? Que reforço positivo podemos utilizar nesses casos? Se me puderem informar, ficaria muito grato.  "

um bocadinho de cor de rosa

A minha maternidade é repleta de gritaria e como é irritante os irmãos constantemente a implicarem um com o outro e o mais velho a ignorar tudo o que lhe dizem. Mas depois há dias em que tudo encaixa. É apenas momentâneo e raramente dura mais do que umas horas ou um dia. Mas pelo menos naquele momento já não há culpas, nem medo de criar traumas de infância nem pequenos psicopatas. Naquele precioso momento vemos finalmente que afinal sempre estamos a fazer algum bem e como os nossos filhos são maravilhosos. Hoje foi um desses momentos.

sobre a depressão

isto: A minha mãe tem depressão! E eu?

A presença da mãe para o desenvolvimento e crescimento da criança é de extrema importância. A mãe precisa de energia física e psíquica para acompanhar todas as etapas da vida do seu filho, protegendo-o, traduzindo o mundo e satisfazendo as suas necessidades. 
É ela (a mãe) que dá a oportunidade do bebé conhecer o mundo, oferecendo o equilíbrio que a criança precisa para organizar todas as novidades que chegam diariamente. 
Se a depressão materna se instala, principalmente se ocorrer na infância ou adolescência dos filhos, um grande impacto no desenvolvimento, seja comportamental ou psicológico, recai sobre eles. 
Desde o nascimento que bebé precisa da ajuda da mãe para conseguir sentir-se seguro, confiante e poder desenvolver-se motor e cognitivamente. Uma mãe depressiva nesta etapa torna-se ausente e empobrecida de estímulos para seu filho. O bebé pode demonstrar alguns sintomas de irritação com a atitude depressiva da mãe. É um bebé mais choroso, tem mais cólicas, não tem um contato visual constante com sua mãe ou com estranhos. A interacção deste bebé com o mundo será precária e ele irá identificar-se mais com o rosto de alguém triste do que com um alegre.
Uma criança com uma mãe depressiva apresenta maiores probabilidades de desenvolver alterações emocionais, uma depressão, por exemplo, tal como a mãe. 
As mães depressivas têm problemas em impor limites. Tanto podem ser demasiado permissivas, como rígidas. Esta dificuldade faz com que as crianças, principalmente entre os 18 e 42 meses, tenham dificuldade em relacionar-se com os seus pares, criando relações inseguras, desorganizadas e com problemas evidentes no comportamento. 
Alguns estudos realizados demonstraram maiores índices de dificuldades escolares, seja por déficit de atenção ou distúrbios de aprendizagem, um maior comportamento de risco e um maior número de acidentes com os filhos de mães depressivas. 
Um grupo de pesquisadores publicou um artigo na revista Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry que relatava o comportamento de adolescentes cujas mães apresentavam episódios depressivos. Verificou-se um maior número de consumidores de drogas ilícitas, iniciação precoce da actividade sexual e maiores taxas de abandono escolar. 
Os filhos, desde pequeninos, espelham-se bastante no comportamento materno. Protecção, acolhimento, apoio e imposição de limites dados pela mãe são cruciais na formação e consolidação da personalidade das crianças. 
Nestes casos o apoio da família, terapêutico e social é um importante suporte para que as mães depressivas possam exercer sua função de protecção em relação aos seus bebés. 
Um pai presente poderá amenizar e diminuir os riscos negativos que a depressão materna acarreta na vida dos filhos. 
E quanto mais cedo a depressão for tratada, menor será o impacto no desenvolvimento das crianças.


Foi dificil deixar de me sentir culpada em relação ao pós-parto do gabriel e finalmente o diagnóstico da depressão tinha ele já 15 meses. E agora a culpa volta toda ao de cima. A educadora do Gabriel descreve o seu comportamento como "bipolar"*, basicamente a sua maturidade está pelo menos um ano atrasada e piorou muito agora com as ausências do pai. À mínima coisa ele chora como se tivesse 3 anos, outras alturas já parece um menino grande. E nisto o que mais me preocupa é que vêem aí mais grandes mudanças na vida dele - mais um irmão (ou irmã) e a entrada na primária. Parte de mim está bastante arrependida de não o ter colocado no pré-escolar público logo no ano passado.

*Disclaimer (3/7/2013):
Nunca imaginei que este post viesse despoletar reacções tão negativas. Falava aqui em relação ao artigo que está em cima e a nossa situação pessoal. Como já referi nos comentários a palavra "bipolar" nunca foi referida pela educadora, tendo sido apenas uma interpretação face à minha situação e ao comportamento do Gabriel que observamos em casa. O Gabriel poder ter frequentado o pré-escolar público no ano que termina iria servir para que ele se habituasse ao novo espaço, novas rotinas e pessoas antes de todas as grandes mudanças que aí vêem. Precisamente por valorizar imenso a opinião da sua educadora e saber que ele está nas melhores mãos possíveis é que optamos por mantê-lo na mesma instituição. Na verdade eu gostaria bastante que a Oriana também tivesse o mesmo privilégio de passar pelas mesmas mãos que têm acolhido o Gabriel, no entanto esse parece ir ser um privilégio do bebé da barriga. Mas sei que ela continua muitissimo bem com quem a tem acompanhado até agora e com quem a irá acompanhar no futuro.
Se já houve uma fase (no ano passado) em que realmente questionamos se o Gabriel precisaria de outro tipo de acompanhamento (psicológico) neste momento essa questão não se coloca. As suas emoções e maturidade podem ter sofrido um retrocesso, mas ele não é diferente de muitos outros meninos. Obviamente que não posso deixar de me preocupar com tudo o que tem vindo a despoletar esse retrocesso e com o qual eu me sinto como a grande causadora. Mas também não conseguiria fazer as coisas de outra forma, como tal é seguir em frente e caminhando.



e isto:



I'm fine. Save me.
The signs are there if you read them. Help us save a life before it's too late.

Pain isn’t always obvious. To show how we often miss the warning signs, we created ambigrams and printed the ads upside down in magazines. At first glance, the reader sees a positive phrase. But when the ad is inverted, the copy reveals a sentiment quite the opposite – revealing the hidden feelings of those who are lost and depressed.

maternidade

Passo 99% do meu tempo como mãe a sentir-me culpada, a achar que não os sei educar, que os vou traumatizar para todo sempre, que nem sei o que lhes faça.
Mas depois saimos, pela primeira vez no cinema, às voltas na kidzania, no zoo ou como ontem num espectáculo de magia* (em inglês!) e acho os meus filhos maravilhosos. Super orgulhosa deles. Vá menos nas idas ao supermercado... grrrrr.

 

*Acabamos a sair mais cedo porque um fartou-se e a outra já não aguentava mais o chichi

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