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Claudia Borralho

A VIDINHA COMO ELA É (e uma mãe que mete a mão em tudo)

Claudia Borralho

A VIDINHA COMO ELA É (e uma mãe que mete a mão em tudo)

Amamentaçao take 3

No inicio tudo parecia bem.

A Laura ainda não pegava muito bem, mas rapidamente com mais ou menos chupadela no sitio errado ela começou a pegar muito bem.
Foi logo muito chuchona, mas eu deixava-a ficar... ela estava a pegar bem, tirando o inicio da pega não me doia e quanto mais ela mamasse, mais leite eu iria ter.

Estava mais uma vez a contar que sendo a terceira, o peito estivesse mais calejado e a coisa corresse bem. Era bom, mas por aqui aconteceu o contrário. À terceira em vez de mais fácil, foi mais difícil. O peito muito mais sensível e dum momento para o outro já lá estavam feridas e miuda a bolsar colostro com sangue.

As enfermeiras de cada vez que me vinham espreitar o peito acho que até se encolhiam... ai estes mamilos... estão uma desgraça.

Enfim, fruto dos analgesicos que me davam ou ainda animada pelo "à terceira vai correr muito bem" eu sabia que estavam doridos, mas achava que não estariam tão mal. Da lanolina, rapidamente passei aos discos de hidrogel e a pôr-me à janela a apanhar sol nas maminhas.

Em casa, o estrago continuou. A miuda até pegava bem na direita e tirando alguma puxadela inicial fora do sitio, pegava na perfeição e não me doia nadinha a amamentar. Já a esquerda estava rapidamente a tornar-se uma desgraça.

Tentei então diminuir a produção e amamentar da direita e tirar leite com a bomba na esquerda. Aí durante um dia e meio parecia que estavamos bem e finalmente no caminho certo. O leite que tirava com a bomba é que tinha que o deitar fora... o sangue que saia era tanto que o leite era cor de rosa. Eu tinha lido algures que o sangue não fazia mal aos bebés, mas a pediatra disse-me que era melhor descartar já que era muito irritante para o estomago dos bebés. E assim de explica as cólicas com muitos gases dolorosos da pequena Laura durante as noites.

E depois dum momento para o outro o peito a doer. Muito. Cheira-me a mastite.... Fui às urgências e apanhei uma médica parva que me mandou ir tirar leite com a bomba e colocar a bebé no peito para desfazer o leite que lá tinha (e não saia com a bomba - nao saia de forma nenhuma...).

Nisto já eu tremia de frio por todos os lados - a febre pois é... a médica parva deve ter escolhido ignorar esse facto.

Em casa fartei-me de massajar o peito, coloquei panos com agua quente, tentei tirar com a bomba, até coloquei a bebé no peito - ela não pegou sequer porque não saia leite nenhum. E a febre presente apesar dos ibuprofenos que já andava a tomar de 8h em 8h.

No dia seguinte estava branca, parecia um zombie e lá fomos de volta ao hospital. Felizmente desta vez calhou-me uma boa médica que me medicou e tratou convenientemente. Levei logo com uma injecçao de diclofenac e a seguir ia para massagem. Curiosamente já tinha sido esta médica a drenar-me o peito quando o sequei com o Gabriel.
Naquele dia nas urgências andava tudo a queixar-se das maminhas, por isso enquanto não era a minha vez de massagem para sair o que estava entupido (o minimo que a médica do dia anterior havia de ter feito!) fui tirar os pontos da cesariana. A enfermeira que me tirou os pontos foi um anjo. Depois dos pontos tratou-me logo das mamas e eu nem queria acreditar no que ela me tirou das mamas. Aquilo já nem era leite, era manteiga! Amarela e grossa!

Portanto - Parlodel para secar durante 14 dias + antibiotico 16 dias (já tou tao farta de antibiotico!) + tramadol e paracetamol + ibuprofeno.

Nos entretantos sinto-me mãe pela primeira vez e com imensas dúvidas na alimentaçao por biberão :) Nunca tinha dado leite artificial a um bebé tão pequenino.

sobre a amamentação

Confesso que não resisti e fui ler o post da Pipoca sobre amamentação e depois, certamente embebida da mesma curiosidade bimba que nos faz ler os comentarios das noticias ou ver o toddlers & tiaras, fui ler as 14 páginas de comentários ao dito post.

 

Primeiro que tudo posso dizer que fiquei agradavelmente surpreendida pelo facto da Pipoca ter experimentado amamentar. Já o facto de ter decidido ficar-se pelo biberão não me surpreendeu de todo.

 

Ao primeiro filho era bastante fundamentalista nesta coisa da amamentação. E ainda bem que era. Só isso me permitiu aguentar o primeiro mês até a coisa estabilizar e deixar de doer. Tive pena de depois andar baralhada e acabar por optar secar o leite tinha ele 5 meses.

À segunda filha eu já estava muito mais preparada, mas as duas mastites deram-me a volta e continuei a amamentar apenas de manhã e à noite.

Mais importante que as mastites foi o que aprendi com a depressão. Amamentar é maravilhoso mas é realmente mais importante a mãe estar bem.

 

Sem sombra de dúvidas - Mãe feliz = bebé feliz!

 

Mas até onde levamos esta questão da mãe feliz? Ai córror eu quero lá estragar o pipi e dizem que doi muito vou mas é fazer uma cesariana. Ai eu tentei dar de mamar mas doia tanto tanto que até sangrei e por isso dei-lhe biberão desde os 7 dias. Ai o meu leite era fraco e estava a perder peso por isso dei-lhe biberão com 2 semanas. Ai que me doia tanto as costas quando estava grávida que tomei uns quantos ibuprofenos. Epá, dava-me jeito ir ali fazer um concerto neste dia por isso bora lá antecipar o parto e ter um prematuro e deixo-o com a avó enquanto vou para fora do país. Bora lá induzir o parto às 37 semanas que o bebé já não está lá a fazer nada.
Estarei a exagerar?

Parece que agora tudo tem de ser facilitado. Doi um bocadinho, epá pára-se já que tenho ali um pozinho na lata que serve perfeitamente. Não te apetece, então não faças, alguem ha-de fazer por ti. Não consegues à primeira, então desiste. Discutiste com o marido, epá divorcia-te já.

 

O leite artificial é um progresso cientifico maravilhoso, mas não é nem nunca será melhor que o leite materno.

 

E a justificação do "eu fui amamentado e nunca fiquei doente" também já está a ficar velhinha (e parvinha). É como dizerem: eu todos os dias como no McDonalds e nunca me fez mal, quero lá saber de alimentação saudável.

Ficam uns excertos de um artigo que conheci via os comentários da Pipoca (yay, pelo meio há lá alguns comentários informados):

Existem algumas características do leite materno que o tornam inimitável, por mais que a tecnologia avance na produção de leites industrializados tentando, obter a cada dia, leites mais parecidos com o leite materno.
A primeira destas características ímpares do leite materno é a variabilidade de composição. O leite materno tem uma composição variável acompanhando a constante variação das necessidades da criança. Desta forma, sua composição varia não só ao longo do tempo, acompanhando o crescimento e desenvolvimento da criança, como também ciclicamente, ao longo das 24 horas de cada dia. O leite produzido no período matutino é mais concentrado, enquanto o leite produzido a tarde possui uma proporção maior de água. (...)

O leite da mãe do prematuro é diferente do leite da mulher que teve seu filho durante um período gestacional normal. Entre outras diferenças o leite da mãe do prematuro possui uma concentração maior de ácidos graxos poli-insaturados de cadeia média, essenciais ao amadurecimento do sistema nervoso central, para compensar o encurtamento da vida intra-uterina.(...)

Outra característica do leite materno, impossível de ser imitada pela industrialização do leite de vaca, é o seu repertório de elementos de defesa contra micróbios.(...)

Finalizando, gostaria de lembrar o que disse no primeiro desses artigos sobre amamentação: a decisão de adotar o aleitamento exclusivo tem um preço: de início incomoda muito mais. Porém o “investimento” vale a pena e tem retorno garantido.

 

E sobre a pressão para dar de mamar? Enfim... vão sempre existir comentários mauzinhos. Está na nossa cabeça interpretá-los.
Eu tive uma enfermeira do serviço de neonatologia a reclamar comigo que as mães só querem amamentar e depois os bebés perdem peso. Assim tal e qual. Felizmente foi com a segunda filha que ao sair da maternidade até já estava a recuperar o peso perdido pós parto, mas tivesse sido à primeira e o resultado poderia ter sido muito diferente. Muito provavelmente se eu não quisesse amamentar e alguém me perguntasse se não ia amamentar eu poderia interpretar isso como pressão para amamentar (e na verdade era apenas uma pergunta interessada...)

Fale Comigo! Amamentação- uma experiência 3D

 



Não podia deixar de participar, até porque a Marianne fez o favor de linkar para aqui :) Portanto fala-se de amamentação e o principal, como disse tão bem a Marianne, é a partilha e NÂO TER MEDO DE PERGUNTAR. Têm dúvidas, perguntem! No que for possível ajudo ou reencaminho :)
Para ver tudo o que já escrevi sobre amamentação é clicar aqui: amamentação.

 

 

o princípio do fim

Os mamilos parecem doer cada vez mais, agora até a direita, a boa, já grita de dor de cada vez que é abocanhada, sugada, largada e mordida.

Amamentar está a tornar-se uma tortura e a terceira mastite virou certeza prestes a acontecer. Acho que só não aconteceu ainda porque o antibiótico ainda não acabou.

E depois esta ideia do desistir custa-me muito, que não sou rapariga de desistir. Portanto vamos a factos: eu não posso andar sempre a tomar antibiótico e brufen, leite com vestígios destes medicamentos também não é muito saudável para a minorca, não posso andar sempre com dores e a oriana merece uma mãe feliz por alimentá-la e não uma a torcer-se e encolher-se toda de cada vez que ela pede comida.

É capaz de ser boa ideia não ficar à espera que a terceira mastite chegue. Custa muito mas está na hora de secar.

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